JoilzaSão 37 anos dedicados ao magistério e, talvez por isso, mesmo tendo mudado de secretaria, para outra que, aparentemente, não está ligada a esta área, ela soma, multiplica e adiciona argumentos de que sua atual pasta está, sim, ligada à educação. Joilza Rangel Abreu, conhecida como dirigente da Escola Albertina Azeredo Venancio, como a professora que implantou o Ciep Luiz Carlos de Lacerda, em Travessão, como diretora do Liceu de Humanidades, como Coordenadora Regional de Educação, entre outros, está agora na Secretaria Municipal de Trabalho e Renda. Lá, entre outros afazeres, ela também luta para que as pessoas estudem, se qualifiquem e saiam da dependência dos benefícios, como Cheque Cidadão, Bolsa Família e por aí vai. Como boa professora de matemática, trabalha com estatísticas e números e diz que ainda tem muitas pessoas que relutam em sair da condição de dependentes desses benefícios. Prova disso é o Balcão de Empregos, hoje com mais de mil vagas.

Campos 24 Horas – Vamos começar falando dessa mudança de secretaria, saindo da Educação para a de Trabalho e Renda. Muita diferença?

Joilza Rangel – Na vida a gente tem desafios. Na Educação era um tipo de desafio e aqui, outros desafios e aprendizados, mas todos nos fazem crescer como profissionais e pessoa. Agora é uma forma diferente de trabalhar, um público também diferente, mas o objetivo é o mesmo: mudança, transformação de pessoas através da qualificação, do incentivo ao estudo de maneira geral.

C24H – E por isso que a senhora diz que nesta nova pasta também pratica a educação?

Joilza - Claro que sim, não deixa de ser. Aqui tem haver com a educação, porque se mostra a importância de se capacitar e a importância na vida das pessoas da escola formal. É um processo educacional também, ensinando que as pessoas que não se qualificam, perdem oportunidades e, em consequência, dinheiro também.

C24H – Mas as pessoas assimilam toda essa filosofia? Mudam realmente?

Joilza – Alguns sim. Mas como eu já falei com você, infelizmente, muitos ainda não se conscientizaram e é aí que entra nosso papel, de educar neste sentido, mostrar que esses benefícios são finitos e que essa dependência não é para sempre, além de oferecer oportunidades para essa mudança, como o governo Rosinha Garotinho oferece diariamente. Exemplo disso são os inúmeros cursos que fazemos através do Pronatec e outros em parceria o Sebrae, Senac, IFF, UFR, Uenf, além da iniciativa privada.

C24H – Mas como vocês fazem esse trabalho de conscientização sobre a importância da qualificação?

Joilza – É um trabalho de escuta. A gente tem ido em algumas localidades, conversado com os moradores, levantando as necessidades, o que eles querem em termos de cursos e, ainda, o que aquele empresariado dali pode oferecer para seus vizinhos devidamente preparados. Fizemos recentemente esse trabalho na Codin e já estamos indo para Goitacazes, além e outros locais, posteriormente. É uma espécie de secretaria itinerante.

C24H – Agora é uma exigência do governo federal que os beneficiários façam curso de qualificação através do Pronatec…

Joilza – É sim, muitos fazem, mas somente porque é obrigatório. Quando nosso balcão recebe a demanda de vagas, a secretaria entra em contato com aqueles que fizeram os cursos e oferece a vaga existente. E alguns recusam, mesmo estando sem carteira assinada e o que está sendo oferecido seja. E se aceitar o emprego, ele perde a condição de beneficiário e é isso que ele reluta.

C24H – Já que a senhora falou no Balcão de Empregos, como está a oferta?

Joilza – Muito boa. Hoje nosso balcão é procurado por empresários de Campos e da região. A gente faz a intermediação entre eles e os que estão desempregados e querem arranjar emprego. Tem tido cerca de mil empregos diários, a maioria na área da construção civil que está em franca ascensão em Campos, na prestação de serviços, para corretores, vendedores e até para quem tem curso superior. Mas a grande maioria exige qualificação. Aqui a gente faz tudo, até o currículo, se a pessoa não tiver.

C24H – Assim que eu cheguei aqui, a senhora falou sobre um avanço para Campos nessa área de trabalho. Qual seria?

Joilza – Claro, importante… A parceria que a Prefeita Rosinha Garotinho fez com o governo federal, na última vez que esteve em Brasília, para implantação do nosso Sistema Nacional de Emprego (Sine) Municipal. Todo trabalhador tem um dia do ano descontado em folha, o que eles chamam de imposto sindical. Só que este dinheiro recolhido não ficava no município, porque não era habilitado ao Sine. Agora é habilitado. Esse recurso, que deve vir só em 2014, será revertido em mais qualificação e vamos, ainda, atender ao seguro desemprego com qualificação.

C24H – Já que estamos falando em cursos, quais são as novidades nesta área?

Joilza – Há… muitas novidades. Estamos em parceria com a Universidade Federal Rural com 12 novos cursos, na área de gastronomia para garçon e auxiliar de cozinha, além de jardinagem, operador de máquinas agrícolas, camareira, almoxarifado, e outros. Estamos com o Instituto Federal Fluminense desenvolvendo o curso Mulheres Mil, na área de culinária e costura. Com o Senai vamos ter cursos de eletricista e bombeiro hidráulico. Com o Senac estamos conversando e fazendo pesquisa para ver o que podemos oferecer. Com a iniciativa privada, curso de salvatagem com bolsas integrais e parciais. Com a Uenf, curso de gastronomia às sextas-feiras.

C24H – Na construção civil, por exemplo, tem muito prático. Só que as grandes empresas não os aceitam…

Joilza - É verdade. Mas nós já estamos em contato com o Instituto Federal Fluminense (IFF) para uma parceria e assim, desenvolver cursos dentro do Programa Certifique. Dessa forma, um pedreiro prático, por exemplo, com anos de experiência, que não consegue vaga numa grande empresa por não ter um certificado ou mesmo, quando consegue ganha menos do que aquele que tem o certificado, vai se melhorar depois do curso.

C24H – Para fechar, vamos falar da atuação da secretaria essa semana em Farol…

Joilza – Fomos convidados pela Fundação Cultural Oswaldo Lima e a secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, para o workshop Degust Farol, que visa preparar os profissionais do setor alimentício para a participação no futuro Festival de Petisco que vai acontecer por lá, além de qualificá-los de forma ampla para o atendimento aos veranistas que frequentam a praia campista. Foi muito proveitoso, as pessoas não queriam sair do local onde foi feito o curso. Tivemos até um casal que foi proprietário de um restaurante no Rio e que vai implantar o negócio ainda este ano em Farol. Inclusive o casal tem passagem pela cozinha do Copacabana Pálace, Sheraton e outros.

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Postado por : Fabiano Venancio -  (15/09/2013)

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